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Relatos e Conquistas
2a Etapa do Campeonato Estadual de Boulder

Olá a todos,

No último domingo, dia 18, ocorreu a segunda etapa do Campeonato Estadual de Boulder do Rio de Janeiro e como sempre a competição foi marcada de surpresas e emoções.


A grande diferença foi o novo Route Setter. Desta vez os problemas foram traçados pelo escalador Luis Cláudio “Ralf” Cortez que assinou todos os boulderes com seu estilo marcante. Muito mais explosivos eles exigiam passadas mais longas sem abrir mão da técnica e bom posicionamento.


As vias estavam um pouco mais difíceis, mas não deixaram de estar à altura dos participantes quando se fala em grau. A questão envolvida é que estes boulderes eram capazes de consumir as energias dos atletas muito rapidamente e isso se comprova com a segunda grande diferença. Nesta etapa as baterias foram compostas de apenas dois problemas em vez de três.


A última diferença foi o núcleo de participantes, alguns nomes da última etapa não estiveram presentes e outros surgiram. Dentre esses novos nomes duas atletas da categoria Aspirante Feminina mostraram técnica e leveza para encadenar todos os problemas à vista.  E juntamente com a Bebel, vencedora da primeira etapa, foram para uma emocionante super-final onde a estreante Tatiana levou a melhor, Bebel ficou com o segundo lugar.


Novamente a categoria mais disputada foi a Aspirante Masculino. Depois da acirrada disputa da primeira etapa os olhos do público foram atentos para ver quem se daria melhor dessa vez. Eis que Matheuz Dalloz não compareceu ,  Mathues Marujo e o atleta do centro de escalada JPA, Daniel Índio estavam presentes e confiantes. Mas entre eles também estavam o novo competidor Rafael “Chocolate” Rebello e Pedro Keiper que já havia demonstrado força e técnica ficando em quarto lugar na etapa anterior.
E quem levou a melhor foi Rafael Rebello encadenando os quatro boulderes à vista. Daniel “Índio” demonstrou a mesma força da última etapa e garantiu mais um pódium, o atleta que é grande promessa no esporte sentiu na pele a crueldade de um campeonato com poucas vias, bastou um pequeno deslize no último problema para lhe deixar com a terceira colocação. O segundo lugar ficou com Pedro Keiper que se firmou mais um candidato à disputa geral.


Continuando o dia seguimos para a disputa da categoria Master Feminina, estas competidoras foram as que mais sentiram com a mudança de route setter e o novo estilo de problemas. Menos vias foram encadenadas à vista, mais repetições foram necessárias para entender o caminho e mais importante foi o desempate por agarra “bônus”.  Luana Riscado, atleta da seleção Brasileira Juvenil de escalada levou mais uma vez o primeiro lugar. Ângela Vargas ficou com a segunda colocação e eu, Flavia do Anjos , subi de novo ao terceiro lugar do pódium.  O quarto lugar foi para a estreante Barthira de Petrópolis. Esta categoria também foi marcado por um polêmico desempate, se na recente copa do mundo as câmeras foram as vilãs dos juízes, na escalada a tecnologia e nossa aliada. E graças as filmagens realizadas os organizadores puderam comprovar que eu havia alcançado uma agarra bônus e com isso garantido a terceira colocação e o troféu.


Mas o auge da competição ainda estava por vir, Master Masculino: Força, técnica e... botes! Botes, botes, botes e muitos vôos! Escaladores gostam de se comparar com primatas, gostam de tatuar lagartos, mas dessa vez o que víamos eram homens-guepardos. A regra era simples, ou você sabia pular ou você estava fora. E se acertasse o bote ainda tinha que ter energia para uma sequência de lances técnicos, explosivos ou as duas coisas.  Cada atleta que entrava era uma emoção, se ele encadenasse à vista a admiração do publico não podia ser contida, se ele dependesse de várias tentativas a ansiedade crescia para uma explosão de alegria quando o objetivo fosse cumprido. No final o pódium também foi marcado por uma surpresa, Eric Telles e Caio Gomes que sempre estão entre os vencedores foram superados por Pedro Soares. O resultado deixou os três praticamente empatados na classificação geral, o que nos faz acreditar que ainda teremos muita disputa e emoção até o fim do ano.

Termino agradecenco aos apoios da Deuter, Sea To Summit, Nicoboco e a parceria com a Art288 Serigrafia.


Confira abaixo a lista completa dos pódiuns e todas as informações sobre a competição.


Abraços a todos,
Flavia dos Anjos

 

ASPIRANTE FEMININO:

Lugar: Tatiana Arenaz - Niterói - CNM e FEMERJ.

2º Lugar: Izabela Rezende "Bebel" - Petrópolis - FEMERJ.

Lugar: Glauce Ibraim - Rio de Janeiro - CNM e FEMERJ.


ASPIRANTE MASCULINO:

Lugar: Rafael "Chocolate" Rebello - Rio de Janeiro - FEMERJ

Lugar: Pedro Keiper - Petrópolis - FEMERJ

Lugar: Daniel Virgínio "Índio" - Rio de Janeiro - UEJ e FEMERJ
(Centro de Escalada JPA, Art 288 Serigrafia)


MASTER FEMININO:

Lugar: Luana Riscado - Niterói - FEMERJ
(Escalada Indoor Icaraí e Mr Rock)

Lugar: Angela Cristina Vargas - Rio de Janeiro - FEMERJ

Lugar: Flávia dos Anjos - Rio de Janeiro - UEJ e FEMERJ
(Centro de Escalada JPA, Nicoboco, Deuter, Sea to Summit, Art 288 Serigrafia)


MASTER MASCULINO:

Lugar: Pedro Henrique Soares - Nova Friburgo - FEMERJ
(Café Porto Novo)

Lugar: Caio Gomes - Niterói - FEMERJ
(Escalada Indoor Icaraí, Kioshi e Makoto Terapias Orientais, Lechen e Mr Rock)

Lugar: Eric Teles - Nova Friburgo - CEF e FEMERJ 


CLASSIFICAÇÃO GERAL: confira aqui

 

 


Glauce, Tatiana e Izabela                       Pedro, Rafael e Daniel "Índio"


Flavia, Luana e Angela                               Caio, Pedro e Eric

Realização:
FEMERJ e Escalada Indoor Icaraí


Local:
Escalada Indoor Icaraí
Rua Fagundes Varela, 637 - Icaraí - Niterói - RJ
(21) 2717-5333


Organizadora:

Patricia Mattos


Route Setter
:
Luis Cláudio 'Ralf' Cortez


Patrocínio
:
Águas de Niterói; Secretaria Municipal de Esportes de Niterói; Plural Mix


Apoio:

Black Rock - USA; Conquista; LeChen; Stone Chalk; Resseg; Paul Monkey; Herbalife; Prana; Sigg; Snake; Times e torcidas; Levitar

 

PRÓXIMAS ETAPAS:

3ª: 12/09

4ª: 07/11


 

 
Psicobloc nos Cânions do rio São Francisco

Olá a todos,
Continuando nossa busca por psicoblocs pelo Brasil viemos conferir o potencial dos Cânions do Rio São Francisco.

 

Não tínhamos nenhuma informação sobre o lugar nem como chegar, nisso passamos por algumas roubadas que contaremos abaixo.

 

A única informação que conseguimos, após vasta pesquisa em internet e revistas, era sobre o passeio de catamarã para a Gruta do Talhado. As imagens desta gruta eram de animar os olhos e movidos por elas decidimos pegar um vôo para a Aracajú e de lá um translado para a cidade de Canindé de São Francisco de onde saem os passeios.

 

Quarta-Feira, 2 de junho.

Saímos do Rio de Janeiro as 05:30h da manhã e após algumas conexões chegamos ao aeroporto de Aracajú sem saber como chegar em Canindé. Após perguntar para alguns taxistas locais nos informamos que podíamos facilmente pegar um ônibus, na rodoviária, para Canindé. Foi onde começou o primeiro perrengue.
Na rodoviária descobrimos que o “facilmente” não era tão fácil assim. Apenas duas companhias faziam o trajeto e poucas vezes por dia. O mais próximo nos deixaria esperando por três horas na rodoviária. Sem outra opção esperamos.

 

Quando nosso ônibus chegou, para nossa surpresa, era um micro-ônibus lotado de pessoas com caixas, gaiolas, crianças. Muita gente em pé, amontoada e nós, com nossas mochilas cargueiras da Deuter, tivemos que nos amontoar também. Para complementar a situação fizemos os 220km até Canindé em quatro horas parando em mais de dez municípios e ainda ao som de muito forró.

 

Dez e meia da noite estávamos com nossas cargueiras nas costas rodando pela cidade à procura de uma pousada. Após quarenta minutos caminhando para encontrar algumas com quartos mofados e sem janelas, outras lotadas e outras ainda com a recepção fechada, conseguimos nos acomodar no único hotel da cidade.

 

Já na recepção do hotel o gerente nos arranjou o contato de uma pessoa que poderia conseguir um barco independente para rodarmos o rio São Francisco em busca de psicobloc, já que nossa intenção não era fazer turismo no catamarã.

 


Quinta-feira, 3 de junho.

 

Às oito horas da manhã o guia sugerido pelo hotel, o senhor Washington, já estava batendo em nossas portas para partirmos. Com nossas caras amassadas fizemos as compras no mercado e fomos em direção ao barco.
Para nossa surpresa Washington nos explicou que apesar dos passeios saírem de Canindé as imagens que vimos da gruta e do Cânion ficam mais próximas à cidade de Olho D’Água do Casado em Alagoas. E que seria mais rápido e barato irmos de carro até lá e somente neste ponto pegar uma embarcação pequena que pudesse nos acompanhar. Fizemos então o trajeto de 35km por 50min e chegamos no local.
Foi aí que conhecemos o bar Show da Natureza e seu proprietário Lorival. Um bar as margens do rio, no Cânion do Talhado onde pegamos o barco.

 

Menos de cinco minutos navegando num pequeno barco de alumínio e já avistávamos arestas, negativos, e grandes arcos que faziam nossos olhos brilharem, mas ao chegar mais perto percebemos os dois problemas do psicobloc na região. Primeiro a rocha é um arenito extremamente esfarelento e quebradiço. Segundo, a região que foi alagada pela construção da usina possui inúmeros galhos secos e pontudos das antigas árvores que ali existiam saindo para fora d’água. Em nossa mente só veio uma cena do jogo Mortal Kombat.


Galhos de árvores submersos

 

Mas, para nossa alegria, após mais dois minutos navegando encontramos o primeiro setor, sólido, negativo e com quedas limpas. Ali conquistamos a primeira via, “Maria Bonita”, uma seqüência de monodedos e bidedos com um crux bem forte acima dos 10mt. Logo ao lado, obviamente, conquistamos a linha “Lampião”.


Esq.: Flavia na via "Maria Bonita"; Dir.: Felipe na via "Lampião"

 

Após a conqusita de “Lampião” e “Maria Bonita” seguimos em busca de outro setor. Passamos por muitas paredes e quase sempre os mesmos problemas: arenito e galhos. Mas como o Cânion é gigante encontramos o setor mais alucinante do dia. Entramos de cara uma linda aresta totalmente negativa com lacas sólidas porém duvidosas e a ela demos o nome de “Macaxeira Voadora” após alguns vôos.

 
Felipe em dois momentos na via "Macaxeira voadora"

 

Com os braços bombados e cansados, pois todas as vias que entramos eram bem negativas, a chuva chegou na hora para o descanso.

O Lorival e o Washington sugeriram que fizéssemos uma trilha acima no cume dos Cânions do Rio São Francisco.
Após alguns minutos de trilha nos deparamos com um chalé da pousada “Mirante do Talhado”. Sonho de consumo de qualquer escalador. Ambiente totalmente rústico porém com muito conforto e uma vista alucinante para os Cânions do Talhado.
Almoçamos ali mesmo um delicioso peixe local e degustamos algumas cachaças. Conversamos com o simpático dono, seu José Francisco, sobre a possibilidade de ficar no chalé que por sinal era mais barato do que o hotel em que estávamos e apenas 10min para o barcos de Lorival, ou seja, 2 min para o primeiro setor de psicobloc. E dali encerramos o dia.

 

Sexta-feira, 4 de junho.

Washington havia comentado sobre uma parte do rio com paredões imensos brotando da água. Seria o Cânion do Xingozinho, divisa entre Sergipe e Bahia. Animados perguntamos se poderíamos ir no mesmo dia, ele disse que sim. Então conversamos com Lorival, pegamos um motor reserva e partimos em direção ao Xingozinho. Ainda dentro do Cânion do Talhado, para o nosso azar, que nos persegue desde Arraial, o motor do barco quebrou e o reserva não dava conta do recado. Tivemos que ficar por ali mesmo o que acabou sendo bom, pois a chuva veio forte e tivemos que nos abrigar de baixo de um teto de uma parede bem negativa. Após alguns minutos de conversa esperando a chuva passar percebemos que estávamos abrigados bem debaixo de uma linha alucinante, a mais forte que entramos nessa viagem. A via que só veio a ser encadenada dois dias depois levou o nome de “Mulé da Peste”


Flavia na via "Mulé da Peste"

 

Quando a chuva parou decidimos voltar para as conquistas e explorar melhor o cânion. Encontramos um setor com uma outra aresta muito interessante e com um crux bem alto a qual foi batizada de “Feijão de Corda”.

Esta aresta ficava bem de frente para o setor das vias “Maria Bonita” e “Lampião” e de lá resolvemos voltar para o mesmo setor e conquistar uma via entre as duas. Com um lance dinâmico longo a via ganhou o nome de “Os Cangaceiros” e finalizamos o dia.



Felipe em dois momentos na via "Os Cangaceiros"

 


Sábado, 5 de junho.

Neste dia Lorival veio com o motor consertado e pudemos subir o rio até a Bahia pelo cânion do Xingozinho. Atravessamos todo o cânion do Talhando, passamos a junção com o rio São Francisco e atravessamos vários pequenos cânions no caminho. Chegando perto da Bahia, já no Xingozinho, encontramos um setor com paredões incríveis, uma muralha de falésias com cerca de 60m de altura.  De longe parecia que estávamos no paraíso dos psicolbocs. Para nossa decepção, de perto a coisa era diferente. Ao encostar na pedra nos deparamos com paredes lisas com poucas opções de agarras e uma rocha bem quebradiça. Não pudemos conquistar nenhuma via ali.

 

Após 3h horas de exploração que nos rendeu um visual exuberante, porém nenhum psicobloc só nos restou voltar ao Cânion do Talhado e continuar as conquistas por lá.

 

Logo na entrada do Cânion um paredão vertical com agarras grandes e sólidas nos chamou a atenção. Estávamos convencidos que ali seria possível, mas não podíamos deixar de lado o procedimento padrão: um bom mergulho para estudar o fundo. E daí, a surpresa, logo abaixo do espelho d’água dezenas de galhos pontudos nos esperavam. Fica ai o aviso, nem sempre o perigo está a vista. Quem for escalar no local além de nossas vias conquistadas deve estudar bem a área.

 

Depois disso, decidimos voltar ao setor da aresta “Macaxeira Voadora”, pois já havíamos percebido que a parede  ao seu lado tinha um incrível potencial. E o Felipe iniciou os trabalhos subindo um lance de buracos e lacas alcançando um grande platô. Esta via ficou sendo a “Bode Seco”. Logo depois, Felipe subiu e conquistou uma outra linha poucos metros para a esquerda. Uma via bem negaiva e tijolante que ganhou o nome de “Bode Molhado”.


Felipe na via "Bode Seco"


Felipe na via "Bode Molhado"

 

A exploração ao xingozinho nos tomou bastante tempo e nesse dia não saíram mais vias, em vez disso descemos o rio em direção ao bar Show da Natureza e continuamos, após o mesmo, até chegar num setor com várias grutas. É um trecho do caminho de Lampião por onde ele atravessava o cangaço e se escondia da policia.


Flavia e Felipe na gruta do Lampião

 

Domingo, 6 de junho.

Domingo cedo acordamos com seu Zé, que tem seus 71 anos e é dono da pousada ‘Mirante do Talhado”, nos propondo fazer uma trilha, em vez disso convencemos ele a fazer psicobloc conosco.

 

Descemos para o barco com ele e sua neta Gardênia mas antes de coloca-lo para escalar mostramos como é a modalidade.
Já com uma linha nova na cabeça, partimos para a primeira conquista do dia. A linha começa a direita da via “Maria Bonita” e segue até um teto onde o crux é bem aéreo. Com certeza é a melhor linha deste setor. A via foi batizada de “Cabra Macho”.


Felipe na via "Cabra Macho"


Agora, com o intuito de ver seu Zé escalando fomos para a via “Feijão de Corda” onde o senhor Zé mostrou disposição e coragem para aquela bonita aresta. Muito empolgado Lorival também encarou o desafio.


Esq.: Zé Francisco na via "Feijão de Corda"; Dir.: Lorival na via "Feijão de Corda"

 

Seguimos de volta para o setor de Maria Bonita e Lampião pois tínhamos visto uma linha alucinante porem duvidosa ao mesmo tempo pois suas agarras pareciam que iam esfarelar nas suas mãos.
A via começa vertical e entra numa seqüência de domínios de tetinhos e barrigas. De fato as agarras destes domínios são duvidosas e cobertas de areia, porem suficientes para agüentar nosso peso. Foi ai que o psico realmente pegou. A via levou o nome de “Couro de Bode”


Flavia em dois momentos na via "Couro de Bode"

 

Nesse dia a empolgação era grande. Já estávamos bem ambientados com o lugar e com os setores. Agora era só hora de atacar as muitas linhas que passamos os três dias anteriores visualizando.
Fomos para o setor da aresta tentar novamente a via “Mulé da Peste”. Já na segunda entrada da via a caneda saiu. Realmente a via é muito bonita e também muito forte.


Felipe em dois momentos na via "Mulé da Peste"

 

Bem ali perto, as conquistas continuaram. E exatamente entre as vias bode seco e bode molhado abrimos uma via com um inicio bem forte que termina numa seqüência de agarroes fáceis. Por esse motivo a via se chama “Cachaça com mel”.


Flavia em dois momentos na via "Cachaça com Mel"

 

Tentamos também um projeto de monodedos e bidedos que ficou sem cadena. Seu nome “Forró Safado”


Felipe no projeto "Forró Safado"

 

Após tantas e tantas conquistas e braços bombados botamos pilha no nosso barqueiro, o Lorival que estava super empolgado com o psicobloc, para entrar a vista em uma linha, ou seja, conquista! Ele acabou aceitando o desafio e abriu a via “Show da Natureza”, nome que ele próprio escolheu em homenagem a seu bar.


Lorival conquistando a via "Show da Natureza"

 

E realmente o bar é um show da natureza, finalizamos nossa trip com um delicioso filé de peixe e feijão de corda à beira do rio curtindo o visual do Cânion do Talhado.


Flavia, Lorival e Felipe almoçando aos pés do Cânion do Talhado

 

 


Segunda-feira, 7 de junho.

Achávamos que a viagem tinha chegado ao seu fim, mas ao conferir a hora do vôo percebemos que ainda dava tempo de mais um peguinha. E de fato ainda saíram uma via e dois projetos. A primeira com o nome de “Não me Peça Fiado” e as seguintes foram batizadas de “Pé-de-Serra” e “Cão Tinhoso”

 
Esq.: Felipe na via "Cão Tinhoso"; Dir.: Flavia na via "Não me Peça Fiado"

 

Gostaríamos de agradecer aos nossos apoios, Deuter e Sea To Summit pelas mochilas e sacos estanques que foram essenciais para o psicobloc.
A todos os amigos que fizemos no nordeste, pela paciência, pelo carinho e pela hospitalidade que só o povo nordestino tem.

 

Abraços a todos, e boa trip ao nordeste,

Felipe e Flavia

 


 


Informações:

 

Localização do psicoblocs e locação do barco:
Bar Show da Natureza, Paraíso Talhado, Cânion do Xingo. Procurar o proprietário Lorival Pereira Gomes
Município: Olho D´Água do Casado, AL
Aeroporto mais próximo: Aracajú, SE

 


Onde ficar:
Pode-se ficar acampado no Bar Show da Natureza onde está se trabalhando na construção de um abrigo.

Também sugerimos a pousada Mirante do Talhado que fica do outro lado do rio no alto dos cânions. Do bar até a pousada, de carro, são 40min, pois se deve contornar as fazendas locais, porem por uma trilha que só pode ser feita a pé são apenas 10 min.
Tel: (82)9972-2074 (79)9122-9217, José Francisco ou Dona Inácia

Para quem prefere ficar na cidade pode-se escolher uma pousada em Piranhas, AL ou Canindé de São Francisco, SE. Nesse caso será necessário translado diário para o cânion. Ambas ficam a cerca de 35km, de carro, do Bar Show da Natureza.

 

Translado:
Para o translado entre o aeroporto e as pousadas ou camping do bar pode-se procurar o Sr. Washington Correia da Canistur. O preço é fechado para ida e volta com data marcada.
Ele também faz o translado diário entre a pousada e o Bar caso tenha-se escolhido ficar em Piranhas ou Canindé.
Tel. (82)8841-2759 (79)9967-9792.

 

Onde comer:
No Bar Show da Natureza serve-se tilápia com arroz, feijão de corda, vinagrete e salada por R$ 20,00. Ideal para duas pessoas.

 

 

 

 

 
1a Etapa do Campeonato Estadual de Boulder

Olá galera,


No último domingo, dia 23 de maio, ocorreu a primeira etapa do Campeonato Estadual de Boulder do Rio de Janeiro 2010. Ao longo do ano serão realizadas mais três etapas e os resultados somados elegerão o campeão anual.
O Campeonato foi realizado pela Femerj e aconteceu no ginásio "Escalada Indoor Icaraí".


Começou às 9:00 da manhã e foi até as 16:30 da tarde contando com as categorias Aspirante Feminino, Aspirante Masculino, Master Feminino e Master Masculino.  Lembrando que a categoria “aspirante” é dedicada àqueles que não tem experiência em competições de escalada. A categoria “master” são para aqueles que já competem e pelo menos um ano. O nível técnico ou idade dos escaladores não influência na escolha da categoria.


Nós, do Centro de Escalada JPA participamos com dois atletas, eu, Flavia dos Anjos, na categoria Master Feminino e o estreante Daniel “Índio” Virgínio na categoria Aspirante Masculino. No total participaram 23 atletas, sendo que a categoria Aspirante Masculino foi a mais concorrida com 10 participantes.E é para esta categoria que faço o enfoque deste relato. Primeiro pelo resultado que consagrou nosso atleta Daniel como vencedor e à ele parabenizamos por essa grande conquista. Segundo por toda emoção que foi esta disputa.


A categoria foi a que contou com o maior número de participantes e todos com nível técnico forte e muito parecido. Os três boulderes da primeira bateria foram realizados, à vista, facilmente por seis dos dez competidores que terminaram essa bateria empatados. Na segunda bateria os problemas vieram um pouco mais dificeis sendo suficiente para eliminar três atletas, porém Daniel Virgínio, o Índio, Matheus Hammes, o Marujo e Matheus Dalloz continuaram mostrando força e técnica para mandá-los também à vista.

 


Daniel no problema mais exigentes da 2a bateria

Daí foi necessária uma bateria extra de desempate para resolver o pódium. Nessa bateria foram montados apenas dois boulderes bem dificeis e longos. Nenhum dos três atletas, já cansados, conseguiram completar esses problemas e quem levou a melhor foi o Daniel que mostrou incrível resistência para chegar mais longe.

 


A categoria aspirante é sempre uma surpresa, sendo a categoria dedicada àqueles que nunca antes competiram nunca se sabe o que esperar dela. São sempre novatos que muitas vezes chegam surpreendendo. Dos dez competidores destaco aqui os cinco que mais impressionaram. De Petrópolis vieram o forte Matheus Hammes (2º colocado) e os irmãos Matheus Keiper (5º) e Pedro Keiper (4º), de Niterói veio Matheus Dalloz (3º),  e do Rio De Janeiro, de Jacarepaguá, o priemiríssimo lugar Daniel Virgínio.


O campeão, mostrou ao longo da prova muita força e técnica em seus movimentos. Apesar de tantos empates nos resultados sua escalada era bem admirada pelos olhos mais críticos. Daniel chamou a atençao de competidores experientes como Caio Gomes, proveniente de uma familia de escaladores e campeão Fluminense de 2008. Depois de ouvir que Daniel treina no Centro de Escalada Jpa há apenas 3 meses, Caio disse:

-"Diamante bruto, agora é só lapidar"


As outras categorias também foram bem disputadas, a categoria Master Masculino também contou com a necessidade de um desempate entre Caio Gomes e Erick Teles. Na categoria Master feminino eu levei a 3ª colocação, senguindo a atleta Natalia Falcão. A Campeã foi a escaladora  Luana Riscado, atual integrante da seleção brasileira juvenil de escalada.

 


Flavia em um boulder da primeira bateria

 

 

A competição, como um todo, foi muito bem organizada. Meus parabéns a Patricia Mattos, organizadora, e ao Leandro Borré, “route setter”que montou excelentes problemas.


Termino agradecenco aos apoios da Nicoboco, Deuter e Sea To Summit, e a parceria com a Art288.


Confira abaixo a lista completa dos podiuns e todas as informações sobre a competição.


Abraços a todos,
Flavia dos Anjos

 

ASPIRANTE FEMININO:

1º Lugar: Izabela Rezende "Bebel" - Petrópolis - FEMERJ.

Lugar: Isabelle Machado "Bebelle" Macaé - FEMERJ.

Lugar: Amanda Villaça - Niterói - FEMERJ.


ASPIRANTE MASCULINO:

Lugar: Daniel Virgínio "Índio" - Rio de Janeiro - UEJ e FEMERJ
(Centro de Escalada JPA, Art 288 Serigrafia)

Lugar: Matheus "Marujo" Hammes - Petrópolis - FEMERJ

Lugar: Matheus Dalloz - Niterói - FEMERJ


MASTER FEMININO:

Lugar: Luana Riscado - Niterói - FEMERJ
(Escalada Indoor Icaraí e Mr Rock)

Lugar: Natália Falcão - Niterói - FEMERJ

Lugar: Flávia dos Anjos - Rio de Janeiro - UEJ e FEMERJ
(Centro de Escalada JPA, Nicoboco, Deuter, Sea to Summit, Art 288 Serigrafia)


MASTER MASCULINO:

Lugar: Eric Teles - Nova Friburgo - CEF e FEMERJ

Lugar: Caio Gomes - Niterói - FEMERJ
(Escalada Indoor Icaraí, Kioshi e Makoto Terapias Orientais, Lechen e Mr Rock)

Lugar: Pedro Henrique Soares - Nova Friburgo - FEMERJ
(Café Porto Novo)

 


Izabela e Isabelle                                                  Matheus, Daniel "Índio" e Matheus "Marujo"


Flavia, Luana e Natália                              Pedro, Eric e Caio
 

Realização:
FEMERJ e Escalada Indoor Icaraí


Local:
Escalada Indoor Icaraí
Rua Fagundes Varela, 637 - Icaraí - Niterói - RJ
(21) 2717-5333


Organizadora:

Patricia Mattos


Route Setter
:
Leandro Borré


Patrocínio
:
Águas de Niterói, Secretaria Municipal de Esportes de Niterói e Plural Mix


Apoio:

Black Rock - USA, Conquista, LeChen, Stone Chalk, Resseg, Paul Monkey e Herbalife

 

PRÓXIMAS ETAPAS:

2ª: 18/07

3ª: 12/09

4ª: 07/11

 

 
Conquista de Psicobloc em Mar no Brasil

 

Salve galera, após a conquista do psicobloc no lago na Taquara ficamos empolgados em explorar psicoblocs em ilhas no Rio de Janeiro. Tudo começou com Cláudio Brisighello, webmaster do Escalada Café, que nos mostrou uma foto do Filhote da ilha Redonda onde parecia ter um arco para psicobloc.

Fizemos um relato de algumas trips, confira abaixo, em duas partes, os perrengues e a grande conquista do “primeiro psicobloc em mar do Brasil”.
 

Primeira Investida

 

Domingo, 18 de abril de 2010, pegamos um barco na Urca acompanhados dos escaladores Arthur Estevez, Michelle Bouhid, Julio “Juba” Blander do ActionBrasil.tv e Daniel Virgínio e partimos em direção ao arquipélago da Cagarras visando o Filhote da Ilha Redonda. Exploramos quase todas as ilhas existentes, mas não vimos nada onde pudéssemos praticar psicobloc, somente muitas paredes positivas com mar batido e pedras nas bases. Ficamos um pouco desanimados, mas não perdemos o dia, graças ao Arthur que já conhecia um pouco das ilhas e sugeriu que fossemos para a ilha comprida. Curtimos blocos alucinantes como o “Barbas de Sangue”, 7c/8a, vide foto abaixo.


Arthur Estevez no boulder "Barbas de Sangue" com a segurança de Daniel Virgínio

 

Após essa trip ficamos imaginando onde poderíamos encontrar paredes verticais a negativas para a prática do psicobloc no Rio de Janeiro. Foi aí que tivemos a idéia de pesquisar a Costa do Sol onde contaremos esta investida nessa segunda parte.

 

Segunda Investida

 

Segunda-feira, dia 19 de abril de 2010, o tempo era curto, pois com o feriado se aproximando tínhamos apenas dois dias para nos organizar. Ligamos imediatamente para Flávio Carneiro, do C. E. Limite Vertical, que já havia conquistado vias em móvel na região de Arraial do Cabo. Após vinte minutos de conversa no telefone estávamos convencidos que o lugar tinha um grande potencial.
Começamos a procurar pousadas, fotos e barcos na internet, pois pretendíamos partir na terça feira após o fechamento do muro Centro de Escalada Jpa.

Terça-Feira, 22:55hs, nosso último aluno do centro de escalada havia partido e logo depois fomos nós com malas e cuias direto para arraial do Cabo.
Pegamos a estrada vazia e fizemos o percurso em exatas 2 horas.

Primeiro Dia de Exploração

Quarta-feira, 21 de abril, dia de Tiradentes, estávamos cansados e queríamos dormir, mas não tínhamos tempo a perder. Logo de manhã fomos a procura de um barco para explorar as ilhas. A negociação não foi fácil, pois muitos barcos trabalham com lotadas onde o ganho é maior.


Felipe Dallorto negociando com os barqueiros

 

Daí surgiu um garoto de 25 anos com seu barco “Tatalu” oferecendo nos levar a essa trip.
Como não estávamos preparados na hora marcamos para as 14:00 a primeira investida. Estávamos ansiosos, pois não conhecíamos a ilha ainda, principalmente Arraial do Cabo.
Fizemos as compras, arrumamos as malas e partimos para o ponto de encontro.

Pegamos o barco às 14:20 e partimos para as ilhas. Fizemos uma hora de exploração e quando avistamos a parede empolgação era grande. E nessa empolgação, antes mesmo de contornar toda a costa, o barco quebrou. Ficamos à deriva por 40 minutos esperando reboque e lá se foi nosso primeiro, sem a chance de fazer nenhum psicobloc.
 

Segundo Dia de Exploração

Acordamos com a promessa que o barco havia sido consertado e. as 11:00 da manha já estávamos embarcados e zarpando. Eis que dessa vez, nem sair da enseada conseguimos, o barco havia quebrado novamente. Ficamos com o coração na mão achando que os Deuses do mar estavam contra nós. E lá se foram 40 minutos esperando reboque novamente.
Quando as esperanças estavam acabando surgiu uma luz, ou melhor uma estrela, o barco “Estrela de Davi” nos resgatou e ainda se ofereceu para fazer parte da nossa empreitada.
Com o novo barco chegamos na ilha a primeira investida aconteceu no setor da Fenda de Nossa Senhora. Em uma parede vertical, levemente negativa, surgiu a primeira via, batizamos-a de “Eu acredito em milagres”. Vide foto abaixo.


Felipe Dallorto na via "Eu acredito em Milagres"

 

E como no mar tudo vem em marés veio aí uma onda de conquistas. Enseada após enseada, parede após parede, conseguimos outros 4 setores. O segundo, após a fenda de nossa senhora foi o setor do Buraco do Meteorito. Uma parede bem negativa com agarras sólidas foi onde pudemos homenagear nosso salvador e conquistamos a via “Estrela de Davi”. Vide foto abaixo.


Felipe Dallorto na via "Estrela de Davi"

 

A empolgação era grande, pois já estamos praticando psicobloc, ou melhor, conquistando o desconhecido. Mar azul, águas cristalinas e belezas exuberantes alimentavam nossos olhos e almas. Seria aqui a Mallorca brasileira? Estávamos praticamente cercados por paredes, era difícil escolher qual seria o próximo setor. Mas a resposta veio fácil quando encontramos uma das paredes mais bonitas do dia. No setor da Gruta do Coelho, abençoados por um início do pôr-do-sol lindo conquistamos a via “Perfume da Gaivota”. Vide foto abaixo.


Flavia dos Anjos na via "Perfume da Gaivota"

 

Já estávamos cansados, pois havíamos conquistado 3 setores. Continuamos mesmo assim, navegando rumo ao desconhecido. Passamos a Ponta do Focinho, a enseada do Oratório e o Arco dos Meros até o Ilhote. Vimos algumas possibilidades, mas nesta costa o mar batia bravamente tornando impossível o barco chegar nas paredes.


Felipe Dallorto apontando para uma caverna gigante

 

Voltamos em direção ao Boqueirão, pensávamos em voltar para a pousada. Mas no caminho não resistimos após ver uma miragem. Uma fenda alucinante bem vertical em oposição em laca chamou nossa atenção. Era o filé do dia, sem móveis, cordas, baudriers estávamos lá solando aquela bela fenda de 20m. E o nome da via ficou “Cavalo Marinho” por causa de suas curvas. Chamamos este setor de Setor da Fendas e fica logo após o buraco do Meteorito. Vide foto abaixo


Felipe Dallorto na via "Cavalo Marinho"

 

Agora era hora de chamar o “kamon”. Os braços estavam bombados, lesionados e o corpo cansado. Mas tivemos que ganhar energia novamente. No setor que fica na enseada após a gruta Azul encontramos uma parede negativa, de agarras abauladas que nos chamava. Sem duvida nenhuma foi a via mais difícil do dia. Uma bela linha, em uma parede com muitas possibilidades, encerrou as conquistas com a via “Canoa Quebrada”. Vide foto abaixo.


Flavia dos Anjos na via "Canoa Quebrada"


Chega, estávamos destruídos. Tínhamos que guardar energia pro dia seguinte. Mas nossa sorte realmente havia mudado. E fomos abençoados, na volta, por uma orquestra da natureza. Mas de trinta golfinho cercavam nosso barco assoviando seus sons magníficos encerrando o dia. Vide foto abaixo


Golfinhos que nadavam ao nosso redor

 

Terceiro e Último Dia de Exploração

Sexta-feira, 23 de abril. Após conquistarmos cinco setores era hora de se divertir. Pegamos o barco novamente e fomos para a ilha. Não deixamos de observar e estudar novas possibilidades, mas nosso corpo não permitia novas conquistas, pois escalar e nadar cansa em dobro. Repetimos todas as vias do dia anterior, nos arriscando a ir cada vez mais alto, pois as paredes são grandes, medindo cerca de 50 a 100m, haja psico! Deixamos esse dia para registro, muitas fotos e muitos, muitos vídeos que resultaram na pequena compilação abaixo. À noite fomos curtir um pouco da simpática cidade que oferece bons restaurantes de frutos de mar e excelentes vinhos. 

 

 

 

Abraços e boa ´trip´ 

Felipe Dallorto e Flavia dos Anjos  

 

Agradecimentos

 

Queríamos agradecer a NicoBoco, nosso patrocinador, ao Cláudio Brisighello pela "pilha" e ao Flávio Carneiro e ao André Penna pelas informações e dicas fornecidas.

 

Dicas

 

Onde ficar: Pousada do Capitão, na praia dos Anjos - site: http://www.pousadadocapitao.com/
Onde comer: Restaurante Saint Tropez na entrada da Associação de Barcos de Passeio
Onde beber: Bodega HG Vinhos na calçada do Hotel Capitão N´Areia
Barco: Estrela de Davi, procurar o Marinheiro Weverton. Cel: (22) 9835-0676
Equipamentos: Além da sapatilha recomendamos magnésio liquido feito com Stone Gold e camisa de lycra NicoBoco que protege das águas vivas, do frio e do vento.